sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Primeiro Esboço

O primeiro esboço da capa para o romance histórico “O Oriente Místico de Chao Balós” pela mão do conceituado cartoonista Rodrigo de Matos (Rodrigo Cartoon).



quinta-feira, 4 de agosto de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XV

Da ida a Bisnaga, capital do Reino de Narsinga:

Vai este Reyno de Narsinga, que por outro nome se chama terra do Canará, desde os muitos lugares que há nele na costa da India, digo Amcola, Mirgeo, Honor, Baticala, Mangalor, Bracalor, Bacanor (onde el Rey de Portugal tem as suas feitorias), e outras mais povoações da banda do Oeste, até ir ter a Balagate, e ao Charamandel, da banda do Leste, e ao Reyno de Orixá, ou Orya, que parte com Bengala, e ao Reyno Daquem, da banda do Norte.

Para bom governo do Reyno tem el Rey Crisnarao os seus oficiais, digo o regedor, a segunda pessoa que há nele, e o tesoureiro (com os seus escrivães da fazenda), o tesoureiro mor, o porteiro mor, o tesoureiro da pedraria, o estribeiro mor, e o que mais há somente tem capitães, todos gentios, por quem reparte o seu Reyno, por quanto não tem outros oficiais. Assim me disse um honrado mercador da terra que el Rey já tinha determinado que o seu filho de seis anos o havia de suceder em vida; porque desejava descansar na velhice, depois de alcançar muitos, e grandes sucessos nas guerras, como fora na tomada de Rachol ao Hidalcão, num grande feito de Christovão de Figueiredo, casado de Goa, que fazia o trato de cavalos para Bisnaga, e à sua gente, vinte Portugueses espingardeiros”.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

sábado, 30 de julho de 2022

Capítulo XIV

Do que sucedeu até Dom Vasco da Gama falecer em Cochim:

“Como a enfermidade avançava, e o espírito desfalecia de forças, quis Dom Vasco da Gama se passar para as casas de Diogo Pereira (perto do terreiro da igreja), e prover o necessário para que Lopo Vaz de Sampayo, capitão de Cochim, mandasse após a sua morte, o mesmo que mandava o Viso-Rey, até o sucessor receber a governação da India. Mandando fazer um assento, deu juramento a Lopo Vaz, ao Veador da Fazenda, digo Affonso Mexia, e ao secretário Vicente Pegado, assinando todos o auto. E fazendo a sua confissão tomou o Santo Sacramento, e fez o testamento, no qual mandava que os seus filhos, Dom Estêvão, e Dom Paulo, fossem nas naus para o Reyno, e cumprissem com o que deixava determinado sobre algumas cousas particulares. Para as mulheres que foram açoutadas em Goa mandou cem mil réis, cada uma, sendo isto feito em muito segredo, conforme a sua vontade.

Estando as cousas da sucessão assentes assim como as cousas de bom católico cristão, veio a hora de Dom Vasco da Gama se ajuntar ao Criador, digo às três horas depois da meia noite do dia vinte e cinco do ano de 1524 (paz à sua alma!), que era o da festa do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. A triste nova foi sentida com muy grandes choros, e prantos, assim que seus filhos, e criados, fizeram o sinal da sua morte, enchendo-se o terreiro da igreja com todo o povo da cidade”.


quarta-feira, 27 de julho de 2022

Capítulo XIII

Chegada de Dom Vasco da Gama, Vice-rei da Índia, a Goa:

“Para atalhar um pouco o sucedido, fica aqui escrito que o Viso-Rey chegou no cabo de Setembro a Goa, onde foi recebido com grande pompa, e solenidade, da forma que requeria o seu título. Após ser levado em procissão à Sé, onde não compareceu o Bispo Dom Martinho, por jazer doente em casa, foi Dom Vasco da Gama levado à fortaleza pelo capitão da cidade, que o tinha ido visitar à barra. E estando miudamente informado sobre as grandes acusações que tinham ido a el Rey, ao entrar na fortaleza soltou estas palavras:

– Senhor Francisco Pereira, assim quisera eu achar bem concertadas todas as vossas cousas assim como estão estas casas”.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Capítulo XII

Caça aos diamantes:

“Tomado por uma grandíssima alegria tratei logo de ir com todas as pressas à casa de morada de Ruffino do Salvador, no arrabalde da Porta da Cidade para o Mandovim, para saber se me iria conceder um empréstimo em dinheiro, que depois lhe pagaria com bons juros. Após ouvir o que tinha para lhe contar, abanou a sua cabeça, e torceu o nariz com os dedos, por não estar certo do nosso sucesso, e por muito temer a perda dos seus cabedais assim de maneira tão arriscadíssima.

Falando-lhe do Português, que nos iria acompanhar nesta empresa, logo me perguntou se era pessoa de ricas fazendas? Ficando sabedor que não, bateu duas vezes a palma da mão na testa, e estranhou todo este caso, pois se o dito Português sabia como caçar diamantes; porque não se adiantaria ele à sua procura, em vez de ter que os repartir connosco? Como tive lembrança que as serpentes no vale profundo eram a dificuldade maior de todo este negócio, talvez lhe faltasse estofo, e coragem, que muito me sobejava. Ainda que Ruffino do Salvador não dissesse a razão; porque também não sabia como a explicar, me deu por seu conselho para que não largasse, por nenhum motivo, a espingarda das mãos, no tempo que andássemos enfiados no sertão”.

domingo, 24 de julho de 2022

Leitura do Dia

"Os Portugueses e o Sião no Século XVI", de Maria da Conceição Flores.


"RELIGIÃO E COSTUMES

Nos relatos portugueses podemos encontrar igualmente bastantes informações acerca dos costumes e da religião praticada pelos Siameses, pormenores que interessavam bastante a um Portugal e a uma Europa desejosos de conhecer notícias exóticas sobre os novos e velhos mundos recém-descobertos.

De uma maneira geral, os Siameses são considerados como homens honrados, que se expressavam com modéstia. Andavam nus da cintura para cima e cobriam a parte inferior do corpo com panos de algodão, ou então vestiam umas roupas de seda. Usavam geralmente a cabeça rapada, deixando apenas umas guedelhas de cabelo sobre a face".

Página 131.


À venda na Amazon

PORQUE VOAS TÃO ALTO? Este livro de poesia é uma viagem intensa pelas experiências de vida de um possível alter ego do autor. Desde o camp...