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quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

domingo, 2 de julho de 2023

O Oriente Místico de Chao Balós

Quem é o personagem principal?

Chao Balós

Aventureiro destemido, foi escravo, corsário, embaixador e mercador de grossos cabedais no Oriente distante. Viveu em primeira mão o choque de culturas, as religiões, os diferentes hábitos e costumes, as lealdades e as traições. Assim como outros portugueses no seu tempo.

Os amores e desamores também se fazem notar: afinal, são um dos prontos fulcrais da trama.

Poucos terão tido a sorte de se cruzar em vida com Fernão Mendes Pinto, com Luís Vaz de Camões e com São Francisco Xavier. Saiba por que o herói não é mencionado na Peregrinação. Descubra se Luís Vaz de Camões esteve, ou não, em Macau. E conheça a profecia de São Francisco de Xavier.

Uma leitura obrigatória repleta de detalhes históricos e personagens marcantes.

Disponível na Amazon, nos seguintes mercados:

Portugal – https://tinyurl.com/mr3td4v (Amazon.es)                                    

Macau, Brasil e EUA – https://tinyurl.com/2cupejd3 (Amazon.com)

Reino Unido – https://tinyurl.com/fbn64jsn (Amazon.co.uk)

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Momento Quora

Quem é o maior escritor da língua portuguesa?

Esta é uma pergunta que tem sido alvo de debate há já bastante tempo. Alguns defendem que Luís Vaz de Camões é o maior escritor da língua portuguesa, outros argumentam que é Fernando Pessoa ou até mesmo José Saramago. No entanto, para mim, o maior escritor da língua portuguesa é Fernão Mendes Pinto.

A “Peregrinação”, publicada em 1614, trinta e um anos após a morte do autor, deixou-nos uma imagem bastante realista do Oriente, uma região então praticamente desconhecida na Europa do século XVI. Pinto teve uma vida fabulosa repleta de experiências extraordinárias.

Nasceu em Montemor-o-Velho, Portugal, em 1510-14, e viajou para o Oriente em 1537. Durante a sua vida andou por várias regiões do mundo, incluindo a Índia, a China, o Japão, a Malásia e a Indonésia. As suas aventuras eram tão fantásticas que muitos questionaram a veracidade dos relatos.

No entanto, acredito que é essa mistura única de realismo e fantasia que torna Fernão Mendes Pinto o maior escritor da língua portuguesa. A “Peregrinação” é uma representação autêntica da vida no Oriente no século XVI, mas também tem um cunho de quimera épica repleta de aventuras incríveis.

Veja a publicação no Quora: https://qr.ae/pyI6R4

sexta-feira, 17 de março de 2023

Starbucks do AIA Tower

Tardes especiais de fim-de-semana

Ao abrir um antigo ficheiro no meu computador portátil, deparei-me com estas fotos tiradas em Junho de 2014, no Starbucks localizado no edifício AIA Tower, em Macau - China. 

Passei tardes de fim-de-semana muito agradáveis a estudar e a tirar apontamentos sobre as viagens da Carreira da Índia (entre Lisboa e Goa), que foram de grande utilidade para a construção da narrativa transatlântica do meu romance histórico "O Oriente Místico de Chao Balós". 

O sabor do cappuccino e de um ou outro doce ajudaram a lembrar as boas recordações que tenho destes momentos tão especiais...

quinta-feira, 2 de março de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXIX

A profecia do Padre Mestre Francisco

"Muito trabalhou o bemaventurado Padre Francisco para amansar o ódio, e a inveja, de Dom Alvaro, ao lhe dar as suas razões de tão grande serviço que faria a Nosso Senhor, se o deixasse desferrar de Malaca na nau de Diogo Pereira. Na embarcação que foi pôs todavia Dom Alvaro os homens da sua parcialidade (como atrás já fica dito), os quais estando muito cobiçosos para fazer o seu ganho não fizeram esta viagem com o propósito primeiro que tinha o Padre Mestre Francisco, que era abrir o caminho para os Padres e Irmãos da Companhia de Jesus se irem a fazer o verdadeiro sacrifício das suas almas no Reyno da China.

A Dom Alvaro lhe deixou avisos da sua má fortuna, o que foi dito na praia ao Vigário João Soarez, e a outros dois que com ele se achavam na madrugada em que partiu do porto de Malaca para as partes da China. Com os joelhos no chão fez uma oração pela salvação do dito fidalgo, e depois que a acabou, se levantou, e descalçou as botas, as quais sacudiu, e derramou muitas mais lágrimas do que as que já tinham caído dos seus olhos.

A sua profecia foi como disse; porque depois que se partiu foi Dom Alvaro cometido de uma feia lepra, e o Viso-Rey o mandou tirar da capitania, por não lhe obedecer às suas provisões, e por cousas danosas que fizera. E sendo toda a sua fazenda confiscada, foi preso para o Reyno, a modo de ser julgado por suas culpas”.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Leitura do Dia

"Em Busca das Origens de Macau : Antologia Documental", por
 Rui Loureiro (introdução, leitura e notas)

O “Porto do Nome de Deus”

Entretanto, a povoação de Macau, alimentada por um incessante tráfico marítimo, crescia a bom ritmo. O episódio dos piratas, em meados de 1564, consolidara a situação dos portugueses, que se impunham às autoridades de Cantão como vizinhos pacíficos e prestáveis. A conjugação de interesses luso-chineses produzira, aparentemente, a situação ideal para ambas as partes. 

Os nossos dispunham de uma base segura para as suas viagens entre Malaca e o Japão, e faziam os seus negócios, pagando os respectivos direitos e lubrificando os mecanismos negociais com avultadas peitas. Os mandarins cantonenses, através da concessão de Macau, tinham delimitado a presença estrangeira a uma área muito restrita, fácil de controlar. Simultaneamente, dinamizavam a economia local, cobravam taxas alfandegárias e obtinham livre acesso a um suprimento inesgotável de mercadorias raras e valiosas, oriundas do Sudeste Asiático e da Terra do Sol Nascente. 

p. 47.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Viagens pelo mundo

Macau - China

Aqui vivi quase duas décadas. Aqui nasci jornalista e aqui me tornei escritor. Esta é a minha segunda casa.

Foto tirada em frente ao mítico Hotel Lisboa 
(Novembro de 2018)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Leitura do Dia

"𝐎𝐢𝐭𝐨 𝐄𝐥𝐞𝐠𝐢𝐚𝐬 𝐂𝐡𝐢𝐧𝐞𝐬𝐚𝐬", 𝐩𝐨𝐫 𝐂𝐚𝐦𝐢𝐥𝐨 𝐏𝐞𝐬𝐬𝐚𝐧𝐡𝐚 (𝐭𝐫𝐚𝐝𝐮çã𝐨).

II-Elegia

À NOITE, NO PEGO-DRAGÃO

De onde vem este perfume de flores, embalsamando a noite puríssima?
Entre bouças e fragas, uma cabana de ola, perto da qual um arroio murmura…
Como de costume, o eremita parte ao surgir a lua.
Em um covão do monte, um pássaro, poisado, ininterruptamente gorjeia.

 
Não lhe importa que as ervas, impregnadas do orvalho, lhe encharquem as alparcatas de junça.
As suas vestes de ligeiro cânhamo, soergue-as, enviesando, a brisa primaveril…
À borda da torrente, intento fazer versos ao viço das orquídeas.
Embargam-mo as saudades, violentas empolgando-me, do Kiang Pei e Kiang-nan.

in "O Progresso" (Macau), 13 de Setembro de 1914.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagens

𝐒ã𝐨 𝐅𝐫𝐚𝐧𝐜𝐢𝐬𝐜𝐨 𝐗𝐚𝐯𝐢𝐞𝐫, 𝐨 𝐛𝐞𝐦-𝐚𝐯𝐞𝐧𝐭𝐮𝐫𝐚𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐝𝐫𝐞 𝐝𝐚 𝐂𝐨𝐦𝐩𝐚𝐧𝐡𝐢𝐚 𝐝𝐞 𝐉𝐞𝐬𝐮𝐬

“A chegada do Padre Mestre Francisco a Sancham foi muito saudada pelos Portugueses que aqui se achavam, a maior cópia deles alojados em terra (ora nas choupanas de tábuas, ora nas palhotas de rama), e outros nas muitas naus da veniaga que estavam surtas neste porto. A primeira cousa que fez pondo os pés em terra foi lhes pedir a fábrica de uma igreja, para nela se entregar em sacrifício a Deus, Nosso Senhor, e a eles fazer os sacramentos em quanto tivesse saúde. Ninguém fugiu a esta obra, e em dois dias se alevantou a dita igreja, com paredes de tábuas, e tecto de rama, no outeiro que olha para a praia do dito porto" – Capítulo XXXIX.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

O Oriente Místico de Chao Balós - Cap. XXVIII

O infame corsário Coja Acem:

“Partindo nós deste porto do Chincheo, fomos mais adiante cometidos por cinco juncos de um temerosíssimo cossario, por nome Coja Acem, capitão e caciz maior d’el Rey de Bintão, e muito inimigo dos Portugueses. Quis ele nos albaroar; mas como no nosso junco se achavam muitos mouros da nossa esquipagem, fizemos logo os nossos sinais de paz, e amizade, pela qual causa cessou a muito custo o seu cometimento.

Despedindo nós um balão na companhia de três mouros dos mais escolhidos, e capazes, foi André de Barros ao junco do Coja Acem, a quem lhe disse que éramos mouros da costa do Malayo, e no ano passado tínhamos ido a Meca fazer a nossa peregrinação. Estando nós todavia faltos de cabedais, pela razão de um grande temporal que nos sobreveio na torna-viagem desta romaria em que perdêramos a nossa embarcação, e sendo poucos de nós os sobreviventes, com muy grande esforço arrematara ele este junco em que se achava agora, e o apercebera para fazer a mercancia nestas partes da China, tendo porém muy receio de ser cometido por alguma embarcação de Portugueses.

Dizendo-lhe que muito ódio tinha a todos esses perros que infestavam a costa dos Chins, soltou Coja Acem uma estrondosa gargalhada, e com muy boa disposição fez muitos cumprimentos a André de Barros, perguntando-lhe depois o que tinha como paga para a sua liberdade; porque como se achava diante de um cossario, como era Coja Acem, havia este de fazer algum ganho”.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagens

Fernão Mendes Pinto, o português de bom espírito

"Sendo generoso a partilhar com eles as glórias, e os sucessos das boas ocasiões, como sempre acontecia quando fazia bom dinheiro com a venda das fazendas, chegava agora a vez de retribuir um pouco do que tinha com este valoroso Português, por nome Fernão Mendez, pessoa honrada, e cioso dos costumes das gentes das terras por aonde andava" - Capítulo XXIX.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Capítulo XXV

O grande interesse do Tutam de Cantão pelo âmbar

Chegando nós à ilha Tamon, digo aos 14 de Agosto de 1538, esperámos pela necessária autorização do Pio da villa de Nantó, e depois do que nos cumpria aqui seguimos para a dita cidade Cantam, cousa de 18 léguas pelo rio acima, onde por minha conta fiz a comutação de pimenta, âmbar, e outras miudezas, por ricas sedas, ouro, e grande cópia de arroz.

A desembarcação de âmbar causou grande alvoroço no Tutam, que teceu muitas palavras de contentamento com a minha vinda. Assim como prometera ao feitor Jao, que duas semanas antes tinha descarregado um grande carregamento desta mercadoria, também eu teria bom agasalho, tornando a fazer as minhas mercadorias neste porto, onde ia encontrar muy ricas fazendas, com as quais depois de fazer o meu emprego, teria tanto proveito, que fariam de mim o mais abastado da terra donde era natural.

Estranhei o seu grande interesse pelo âmbar; porque valia mais para ele, do que ouro, ou diamantes. Dei o melhor para tirar algumas inquirições sobre este assunto; mas pouco consegui apurar, por se resguardar o Tutam numas lendas de remotas eras, com dragões a carpir lágrimas, que se transformavam em âmbar, e como os Chins são muy idólatras destas serpentes de extraordinária grandeza, reverenciam muito esta mercadoria.

Perdido que estava nos meus pensamentos, dei por mim com os olhos postos numas serpentes tecidas a fios de ouro, que o Tutam, e seus assistentes, traziam nos peitos, e nas costas, e que por divisa são as armas d’el Rey”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

"𝐎 𝐎𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐌í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐡𝐚𝐨 𝐁𝐚𝐥ó𝐬", 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, 𝐌𝐚𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟐.

Leia a história de um português do século XVI que deixa o Reino de Portugal e se aventura no Oriente distante onde conhece Fernão Mendes Pinto, Luís Vaz de Camões e S. Francisco Xavier: https://www.amzn.com/B09Y6B8Y5Q

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Momento Quora

Qual é o seu escritor preferido?

Fernão Mendes Pinto, sem dúvida!
(Montemor-o-Velho, 1510–1514 - Pragal, Almada, 8 de Julho de 1583)

A sua "Peregrinação" é um hino à literatura portuguesa. Não obstante a versão original ter sido escrita num português bastante difícil de assimilar para a maioria das pessoas de hoje, é meu entendimento que o conteúdo surpreende, muitas vezes, pela formosura das palavras empregues e por narrativas inimagináveis de acontecer no Velho Continente, tanto no século XVII (a obra só foi lançada em 1614), como agora.

"Peregrinação" é importante para conhecer, e entender, a vida e as tradições de vários povos orientais, assim como alguns factos importantes da sua história. Comummente, o aventureiro português deixa-nos testemunho sobre as características das gentes e dos lugares por onde terá passado, descrevendo diversos eventos históricos com o pragmatismo que se lhe conhece.

O cronista tem sido injustamente acusado de ser mentiroso - há aquela famosa expressão, "Fernão, Mentes? Minto!". Embora a obra literária seja supostamente de carácter autobiográfico, também é certo haver nela algo de fantasioso. 


No entanto, está comprovado que muitos factos descritos na "Peregrinação" são bastante fidedignos, sem esquecer que o autor terá se deparado com vários acontecimentos por interpostas pessoas, estando eu certo que decidiu inclui-los na narrativa de forma ficcionada por serem importantes para o conhecimento na Europa de então.


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