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segunda-feira, 27 de março de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Epílogo

A espera no porto de Ayutthaya

"O sonho que daí a pouco avivou o meu subconsciente transportou-me para a segunda metade do século XVI. Uma mulher siamesa, a rondar os quarenta e poucos anos de idade, olhando insistentemente para o horizonte, acalentava a esperança de ver Chao Balós a regressar ao porto de Odiaa, sem que o seu mais íntimo desejo se tornasse realidade. Nada que esmorecesse o ânimo de Marinha. Talvez Chao Balós chegasse no dia seguinte!

quinta-feira, 23 de março de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XLIII

Do resto da minha vida

"Creio não ter faltado à verdade das cousas por mim testemunhadas, e que deixo aqui em escritura; mas como a idade já vai avançada custam alguns factos a ser lembrados. Se alguém mais abalizado tiver alguma cousa a reclamar, por imprecisões, ou faltas aqui cometidas, fique desde já a saber que lhe ficarei grato, se proceder às devidas correcções, pois mostra interesse, e consideração, pelo que me presto a deixar.

Porém recuso os juízos de pessoas que nada entendem; porque sendo maldizentes, e roedoras, só por malícia falam do que ignoram. E posto que se muitas cousas aqui escritas podem parecer estranhas, e impossíveis ao entendimento, deixo a minha palavra de honra, que são reveladoras da mais pura verdade, do que vi, e ouvi, nestas partes tão arredadas da minha pátria onde agora ando. Ainda não chegou o junco da viagem de Macao. Cuido que tal sucederá até ao cabo desta monção, sem que eu ponha outra vez os olhos nele”.

Ruínas da igreja de São Domingos no Baan Protukèt (bairro português) em Ayutthaya, antiga capital do Sião, actual Tailândia.

sexta-feira, 17 de março de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XLII

Do cerco que o Bramá fez a Odiaa (Ayutthaya)

"Assentando o Bramá arraial com seus exércitos em seu redor num campo grande, e espaçoso, meia légua acima da cidade de Odiaa, começou a bater os seus muros por muitas partes, e ficando a defensão do baluarte onde o rio era mais estreito, e menos fundo, nas mãos dos Portugueses do bandel que el Rey do Sião mandara recolher dentro, o teve Diogo Pereira por seguro dos Pegùs, e Bramás.

Num destes dias el Rey Prechau Çale ajaezou um formoso alifante, e saindo fora em procissão com o seu exército, passou o rio para a outra banda, e foi ao encontro do Bramá. Na dianteira iam os alifantes de peleja, e logo atrás cinquenta mil homens de pé, com suas armas de guerra, em que entrava grande soma de espingardeiros. Fazendo tão formoso exército a sua marcha com tangeres de instrumentos, e cantares a seu modo, foi nele o Príncipe Ramane, e o Príncipe Malino, seus filhos, montados nos seus alifantes ricamente ajaezados com peças de ouro, e outras cousas de muito preço, e sombreiro de pé de sua própria insígnia, como é costume entre eles.

Achando-se os dois exércitos muy bem ordenados num campo largo, e espaçoso, foi feito o sinal, de um lado, e do outro, por um búzio grande, e em se arremetendo uns aos outros com muitas gritas, e vozes, que parecia que se fundia a terra, puseram em obra esta fera batalha campal, a qual não faço aqui a sua escritura pelas muitas crueldades que dela ouvi”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXVI

A grande fuga do Reino do Sião

"Reunindo os navegantes no junco, levantámos ferro no surgidouro, ao qual esperava tornar num pouco espaço de tempo. E quando descíamos o rio Menão, já para lá da tabanca, apareceram nas nossas costas dois juncos pejados de Siames, e outro de Chins, que nos vinham fazer busca.

Lançando em nós muitas frechas ateadas com fogo, atingiram algumas delas o costado da nossa embarcação. Prouve a Nosso Senhor que os fortes salpicos da corrente do rio apagassem este perigo, que por obra de todos aqueles cães ameaçava acabar com as nossas vidas. Não estando nós livres desta grande aflição em que já nos achávamos, com todas as pressas fomos buscar as espingardas escondidas no porão, e atirando nos cães que muita vontade tinham em nos tomar as vidas, ficámos muito contentes, por duas léguas abaixo cessarem tão perigosa perseguição.

Entra agora um caso assaz espantoso, do qual não faço a escritura de tudo o que aconteceu para não parecer uma grande fábula. O que desde já digo que não é; mas como o sucedido foge ao entendimento do comum mortal, estou em crer que seja necessário não me alongar muito no que os meus olhos viram no espaço de tão feroz perseguição (…)”.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXV

A visitação a um templo de Ayutthaya

"Enfadado com esta vista fui espreitar o que mais havia neste templo, e para grande espanto achei uma estátua gigante feita de ouro, que era impossível de acreditar, se não a tivesse visto com os meus olhos. Tem a dita estátua de alto o suficiente para que quatro, ou cinco homens, se ponham cada um acima do outro. Os pés estão dobrados ao modo dos ídolos que se acham neste Reyno, e noutras paragens do Oriente, pela qual razão os sacerdotes, e fiéis, imitam este modo quando fazem as suas orações.

São os olhos desta estátua muy grandes, e magnificamente fabricados, assim como a cabeça, os braços, os dedos, e a barriga. No alto dela, e nos seus ombros largos, pousam de contínuo alguns pombos; posto que uns estão quietos, e outros levantam voo, em troca dos que se ajuntam aos que já lá estão.

É esta casa a modo de câmara guardada por um sacerdote muy cioso dos seus deveres, e que a muy grande custo me deixou entrar para ver este ídolo, a que os da terra chamam o Grande Deus Suta. Os seguidores desta idolatria fazem as suas reverências defronte desta estátua, e outras de menos importância, levantando as suas mãos juntas, e baixando as cabeças um pouco adiante, a modo de respeito.

Tornando ao lugar onde o dito sacerdote fazia o seu ministério, e que de nada valia; porque não livrava tão pobres criaturas de espírito do engano em que já estavam metidas, calhou em sorte que não demorasse muito até findar a sua arenga, e indo cada um por onde lhe pareceu melhor, fizeram muitas mulheres a reverência a seus ídolos, que são feitos de todas as sortes de estátuas; porque são umas obradas de ouro, outras de bronze, e outras de madeira, como os Siames costumam ter nos seus pagodes”.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXIV

Um modo de fazer justiça no Sião

"Uma multidão de gente, digo passante de cinco mil pessoas, entre grandes, pequenos, e estrangeiros, se ajuntou ao derredor deste modo de tribunal, que por ordinário se faz numa praça pública perto do palácio, a modo de ver esta justiça, que tem muito de superstição, e pouco de razão.

Acabando a sua oração, e levantando-se cada uma, coube a um brâmane o exame dos pés das duas mulheres, e não achando deformação, nem cousa suspeitosa, fez-lhes sinal para caminharem descalças no seu carreiro, por cima do carvão abrasado. Quem assim fizesse sem dor, nem ferida, seria achada honrada neste caso; mas quem desistisse, e tivesse os seus pés em dor, e queimados, seria culpada de tão pecaminoso acto, que tanto podia ser o adultério, como a tenção de criminar.

A acusada foi duas vezes para lá, e para cá, com um formoso sorriso no rosto, e sem nenhuma dor, ou queimadura nos seus pés; mas a outra mulher fazendo somente meio caminho para lá saltou logo do carvão afora, com uma grita de muita dor. Fora ela a tecer esta clara, e manifesta mentira, que quase acabara com tão honrada família.

El Rey vendo tudo isto ordenou logo ali a sua morte. E posto que a culpada com muitas lágrimas derramadas nos olhos lhe pediu misericórdia, pois o seu erro fora causado por cega cobiça, vendo a agora mulher livre de suas culpas o tamanho arrependimento no rosto dela, disse a Sua Alteza que a justiça já fora feita; porque a mentira ficara descoberta, e pena pior seria a desonra em que caíra”.

          Ⓒ Alberto Capparelli

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós, Cap. XXXIII

Audiência com el-rei do Sião

    "Chegado o tempo, e entrando todos os nobres adentro, me fez sinal o língua mestiço para lhe seguir os passos; posto que ainda antes descalcei as botas, e deixei a adaga enrodilhada na capa, por não me ser lícito entrar dentro com tais cousas.

Passando nós para lá da porta mais interior, pousou o dito língua nas minhas mãos uma bandeja de madeira com flores da terra, e arroz, que ia numa folha de palma, e dizendo-me para a agarrar com as mãos, e abaixar um poucochinho, tinha que a levar assim diante d’el Rey.

Dentro de tão magnífica sala guarnecida a ouro estava uma multidão de gente que alguma vez podia imaginar, a saber: numa banda da sala estavam os mais principais do Reyno, e abaixo deles ficavam os outros grandes menores, todos com suas insígnias, que são bocetas de ouro, prata, e madeira, conforme a honra que el Rey lhes dá; as quais se acham diante de si, e têm dentro o seu betele”.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXII

A curta governação do tirano em Odiaa

"Neste espaço que venho tratando morreu o Reyzinho, também por peçonha, que lhe deu o tirano, por nome Uquumcheniraa, como atrás já fica dito; mas ao seu irmãozinho, por nome Çessine, na idade de sete anos, não lhe tirou a vida.

Com este desimpedimento se casou a Raynha [Thao Srisudachan] com o tirano, e o fez Rey. Assim foi ele em procissão pela cidade com grande pompa, e majestade, assentado numa cadeira guarnecida a ouro, e prata, que ia nas costas de um esplendoroso alifante branco (de muita veneração nestas partes). E sendo acompanhado de todo o seu Estado, também ia o Viso-Rey, seu irmão, por nome Nachaan.

Passantes quarenta e três dias tornou Marinha a sua morada sem risco de sua vida (assim como tornara o seu pai, e marido), pela morte desta má Raynha, e seu amigo, e de todos os que estavam por sua parte”.

Foto: "Thao Srisudachan" (filme tailandês).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXI

A guerra no Chiang Mai

"Como passante obra de um mês deste cerco desfalecia o mantimento, e as munições, e porque já era muito o cansaço, assim como as enfermidades de uns, e as feridas de outros, pondo el Rey a conselho com todos os príncipes, capitães, e senhores, que havia no exército, e ouvindo o parecer de todos decidiu levantar o cerco, e tornar a Odiaa.

Feito isto se embarcou com o seu exército, e ao descer o rio, navegando nós nestas tranquilas águas castanhas pousava a par de mim um falcão: essa tão valiosa arma, que me salvara a vida na cruelíssima batalha do Quitirvão. O barulho dos pássaros vindo do sertão não descansava a preocupação de alguns estrangeiros, que se achavam vigilantes dos perigos que podiam aparecer de supito. Fechei os olhos, como que a repouso do corpo; mas depressa fomos cometidos pela banda do Ponente. O inimigo queria nos fazer caça de modo tão traiçoeiro, tendo por sua tenção não dar vida a nenhum de nós.

A embarcação onde vinha esta minha pobre pessoa foi supitamente abalroada, por um dos sete ou oito roqueiros, que lançaram sobre as nossas cabeças, e puseram no fundo dois seroos. Neste meio tempo insisti, com um oficial Siame, que era necessário fazer a nossa desembarcação no rosto destes ímpios, e como eram poucos cães a nos fazer rosto, por certo dávamos boa conta da peleja em terra firme; mas se todavia continuássemos embarcados, corríamos um grande risco de nossas vidas, pelo cometimento de todos estes atrevidos.

O oficial não fez caso desta minha opinião, e arvorando que era muito o cansaço dos nossos, replicou que não aguentaríamos mais este esforço. Havia que continuar a navegar rio abaixo, e evitar empecilhos como este, que faziam pouca mossa; posto que a viagem era longa, e passaríamos por muitos outros perigos neste nosso caminho. No mesmo instante caíram a par de mim alguns dos nossos, por um roqueiro que nos abalroou".

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXIX

O fascínio por uma mulher siamesa

"No topo das escadas desta grande morada, feita de rijas madeiras, assentes em grossas estacas, apareceram três mulheres roupadas com ricas sedas, que nada concordavam com o traje roto, e esfarrapado, de quem carregava eu nos meus braços. Tive para mim um grande fascínio pela elegante pose da moça donzela que se pôs adiante de todas as outras. O seu porte delgado, e baixa altura, fazia boa figura com os cabelos castanhos, curtos, e puxados para trás. Entrou logo em cuidados, ao dar conta do estado lastimoso em que se achava a mulher amparada nos meus braços, a qual deitei no chão com muito cuidado.

Os prantos de angústia, e gritos de aflição, que as outras mulheres bradaram neste meio tempo, puseram em sobressalto dois homens, que não sabendo o que se passava acudiram muito depressa a saber o que era. O mais velho, homem honrado de grossa fazenda, segundo o traje de sua pessoa, seria de cinquenta e poucos anos, e o outro (quiçá seu filho) sem embargo de se achar bem roupado, vinha até nós com passos pouco firmes, semelhantes às cambetas dos bêbados. Com isto se apressou o dito sacerdote a lhes dar miúda notícia do infeliz acontecimento.

Entregando a mulher ferida ao cuidado desta honrada gente, pousei em suas mãos um remédio, que muito ajudaria a sarar as feridas, que lhe toldavam o rosto. E estando prestes a fazer o meu caminho, quis uma voz suave me deter neste meu intento. Estremeci quando Belchior Barbosa, por saber a língua da terra, me disse que aquela moça donzela (de admirável formosura) estava muito agradecida, por pormos em salvo uma criada do serviço de sua família".

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Good Reads

"A Traveler in Siam in the Year 1655", by Gijsbert Heeck.

"At one of the left-side corners of the office [square], next to the horse stable, there is another door with a wide bridge [over the moat] leading to the house or living quarters of Chao Sut, whom I mentioned earlier. This is because she is often very useful to the Company's staff in the trade with Siam. Over time she has become quite skilled in this, and at present she annually supplies all the wax and other trading goods to the Company. In reward for her good services, and because (as mentioned) the king often confiscates the wealth acquired by individuals as soon as he is aware of it, she keeps this back door ajar so that she can quickly hide her wealth with us. They often get together for a neighborly chat and, since this woman is well informed about what happens at court and reports about it well and clearly, her person is recommended (from Batavia) and directors are ordered (from the top) to maintain good relations with her." 

Page 56.

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagens

Fernão Mendes Pinto, o português de bom espírito

"Sendo generoso a partilhar com eles as glórias, e os sucessos das boas ocasiões, como sempre acontecia quando fazia bom dinheiro com a venda das fazendas, chegava agora a vez de retribuir um pouco do que tinha com este valoroso Português, por nome Fernão Mendez, pessoa honrada, e cioso dos costumes das gentes das terras por aonde andava" - Capítulo XXIX.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Momento Quora

"Qual foi a ideia que te disparou a vontade de escrever um de seus livros?"

"Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Três coisas que cada pessoa deve fazer durante a sua vida" - José Martí, poeta cubano.

Tudo começou em Junho de 2012, quando fui orador no C&C Clube, em Macau - China, da palestra “Os portugueses no Sião”. No final do evento fui encorajado a escrever um livro sobre o tema da palestra.

Depressa percebi que não ia adiantar nada de novo ao que historiadores, ou investigadores, já tinham avançado. Decidi então escrever um romance histórico sobre um português do século XVI, que deixa o Reino de Portugal e vai para o Oriente, onde vive um sem-número de aventuras.

No primeiro ano escrevi 27 páginas no Word. Foram as mais difíceis de toda a obra. Vivia então em Macau.

Em Abril de 2014, durante uma das recorrentes viagens de fim-de-semana a Bangkok, despertou-me o interesse em centrar parte da história no antigo Reino do Sião, que grosso modo corresponde à actual Tailândia.

Em Setembro de 2018 aceitei uma oferta de trabalho e passei a residir em Bangkok. Foi também nesta grande metrópole asiática que terminei de escrever a minha obra de grande fôlego (são mais de quinhentas páginas).

E foi assim que nasceu O Oriente Místico de Chao Balós, agora disponível na loja online da Amazon. Se tiver oportunidade de ler, entre em contacto comigo e diga-me qual é a sua opinião.

Veja o link no Quora: https://qr.ae/pvWjra

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

"𝐎 𝐎𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐌í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐡𝐚𝐨 𝐁𝐚𝐥ó𝐬", 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, 𝐌𝐚𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟐.

Leia a história de um português do século XVI que deixa o Reino de Portugal e se aventura no Oriente distante onde conhece Fernão Mendes Pinto, Luís Vaz de Camões e S. Francisco Xavier: https://www.amzn.com/B09Y6B8Y5Q

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Leitura do Dia

“A History of Ayutthaya, Siam in the Early Modern World”, de Chris Baker e Pasuk Phongpaichit. 

"Os reis acumulavam esposas e consortes por razões práticas de sustentar a linhagem e construir alianças matrimoniais, mas também como demonstração simbólica de poder do rei. [Tomé] Pires relatou na década de 1510 que o rei siamês 'tem muitas esposas, mais de quinhentas,' provavelmente um exagero, mas indicativo de um número impressionante".

Página 110

(traduzido do inglês)



domingo, 24 de julho de 2022

Leitura do Dia

"Os Portugueses e o Sião no Século XVI", de Maria da Conceição Flores.


"RELIGIÃO E COSTUMES

Nos relatos portugueses podemos encontrar igualmente bastantes informações acerca dos costumes e da religião praticada pelos Siameses, pormenores que interessavam bastante a um Portugal e a uma Europa desejosos de conhecer notícias exóticas sobre os novos e velhos mundos recém-descobertos.

De uma maneira geral, os Siameses são considerados como homens honrados, que se expressavam com modéstia. Andavam nus da cintura para cima e cobriam a parte inferior do corpo com panos de algodão, ou então vestiam umas roupas de seda. Usavam geralmente a cabeça rapada, deixando apenas umas guedelhas de cabelo sobre a face".

Página 131.


terça-feira, 5 de julho de 2022

Leitura do Dia

"The Palace Law of Ayutthaya and the Thammasat - Law and Kingship in Siam"

Um raro e importantíssimo livro que tive a felicidade de adquirir para conhecer e perceber a vida em Odiaa (Ayutthaya), capital do Reino do Sião, actual Tailândia, a partir de 1351, até à sua queda às mãos dos birmanes, em 1767.


"Atribuições Impróprias

80 - Quaisquer cortesãos que se reúnam para beber licor, jogar ou ter luta de galos e sejam vistos por outros, que se imponha uma pena suspensa.

81 - Se um oficial do palácio traseiro se for encontrar com um cortesão ou soldado, é condenado à morte.

82 - Se um governador de cidade se for encontrar com outro governador de cidade numa cidade é condenado à morte".


Página 98 (traduzido do inglês).



sábado, 21 de maio de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagem Central

O Oriente Místico de Chao Bálos

O extraordinário testemunho de vida de um Português de nação. Do Reino de Narsinga, à Terra do Elefante Branco, e Ilha de Sanchoão.


Quem é a personagem central?

O título e o antetítulo dão poucas pistas sobre a personagem principal. Sabe-se que é português e andou pelo Oriente. Com o avançar de páginas, percebe-se que foi criado com esmero na vila portuguesa de Alenquer, mas a inquietude da sua pessoa levou a que embarcasse para o Oriente. Podia muito bem ter ficado na vila de onde era natural ou, quiçá, feito carreira de mercador na cosmopolita Lisboa ou, até mesmo, ter entrado no Paço real…

Na viagem para a Índia fez-se homem. Por exemplo, se antes não bebia vinho, passou a fazê-lo. No Oriente experimentou um turbilhão de sensações, sentimentos e dissabores, mas também sucessos. Tornou-se capitão de uma embarcação de um malaio e andou depois por conta própria. Amealhou cabedais, umas vezes de forma honesta e outras pondo em prática ardis só ao alcance dos mais arrojados. Viajou bastante, conheceu outras realidades e lidou de perto não só com cristãos, como também com muçulmanos, hindus, iogues e budistas.

As influências de várias religiões, ou credos, aliadas às agruras da vida, moldaram a sua maneira de ser, tornando-se bastante resiliente perante as adversidades, portanto, sem nunca se deixar abater pelas contrariedades. Tal facto levou a que uns quantos lhe fossem leais, o que também facilmente se comprova pelo seu forte carisma. Um desses homens, árabe de nascimento, foi por ele adoptado e baptizado segundo os preceitos católicos.

As mulheres também não passaram despercebidas ao herói. Três delas têm honras de destaque – uma era natural de Goa, outra de Mascate e uma terceira de Odiaa (Ayutthaya). Se a primeira era sua mulher, a segunda era amante. A terceira foi a razão de toda a sua busca interior e consequente aperfeiçoamento espiritual que lhe terá sido encomendado pelo Criador.

Há também, pelo menos, mais três mulheres na sua vida: duas chinesas e uma malaia. Uma seria “mulher de partido” em Cantão, outra viveria em Patane (Pattani) e uma terceira terá vivido com ele durante algum tempo numa cidade portuária da China… 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Bandel dos Portugueses em Odiaa

Em Agosto de 2012 visitei, pela primeira vez, o local onde se situava o bandel dos portugueses em Odiaa (Ayutthaya), na actual Tailândia. Este antigo bairro ganha destaque na segunda metade do meu romance histórico, pois é aqui que Chao Balós vive durante vários anos e, depois de partir a contragosto, regressa para cumprir a etapa final da sua vida. Confesso que tive um "dejá vu", ao olhar para as ruínas da antiga igreja portuguesa de São Domingos e para o fronteiro rio Chao Phraya, ao sentir uma alegria imensa, por ter dentro de mim aquele sentimento de revisitar um lugar que me era bastante conhecido, todavia, sem nunca aqui ter estado. Sucederam-se outras visitas e tive sempre a mesma satisfação de (agora sim) revisitar um espaço que durante vários séculos foi a casa de portugueses, mestiços e gentes de outras nações.












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