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segunda-feira, 3 de abril de 2023

Momento Quora

𝐀𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐞𝐱𝐢𝐬𝐭𝐞𝐦 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨𝐬 𝐟𝐚𝐥𝐚𝐧𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮ê𝐬 𝐞𝐦 𝐆𝐨𝐚, 𝐨𝐮 𝐨 𝐧ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐥𝐮𝐬ó𝐟𝐨𝐧𝐨𝐬 é 𝐚𝐢𝐧𝐝𝐚 𝐦𝐞𝐧𝐨𝐫 𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐦 𝐌𝐚𝐜𝐚𝐮?

Actualmente, o número de falantes de português em Goa é significativamente menor do que em Macau. Após a independência de Goa em 1961, muitos portugueses deixaram o estado indiano, e o uso do português como língua oficial diminuiu gradualmente.

O português é falado apenas por uma pequena parte da população de Goa, principalmente por aqueles que tiveram educação em escolas de língua portuguesa ou que mantêm laços culturais com Portugal ou com outras comunidades lusófonas.

Além disso, é importante destacar que a maioria dos falantes de português em Goa tem mais de 60 anos de idade, e muitos deles têm o português como segunda língua, já que a língua oficial do estado é o concani.

Em contraste, Macau é uma Região Administrativa Especial (RAE) da China, onde o português é uma das línguas oficiais e é falado por uma franja da população, especialmente das comunidades portuguesa e macaense, e entre os profissionais que trabalham nas indústrias do jogo e do turismo.

Portanto, embora ainda existam alguns falantes de português em Goa, o número é muito menor do que em Macau. No entanto, ainda há uma pequena comunidade de lusófonos em Goa que se dedica a manter viva a língua e a cultura portuguesas naquele estado indiano.

Veja a publicação no meu Quora: https://qr.ae/prBegB

FOTO © Bairro das Fontainhas em Goa, 
ainda mantém as suas características portuguesas, 

terça-feira, 14 de março de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XLI

Da ida derradeira à cidade de Goa

"Para não perdermos a monção nos fizemos prestes com todas as pressas, e aparelhados com todas as cousas necessárias a esta viagem, que nos proveu o capitão de Malaca, larguei deste porto, e prouve a Deus que fizéssemos boa viagem por nossas jornadas até à muy nobre cidade de Goa. Aqui chegados fui logo ao colégio de São Paulo a ver do Padre Antonio de Quadros, o qual me recebeu com mostras de muita amizade, e alegria.

Entregando-lhe a dita carta, como cumpria a meu serviço, e em a lendo ele, no outro dia pela manhã nos fomos com grande solenidade a falar com o Viso-Rey. Entrando nós os dois, o Padre Antonio de Quadros e eu, na formosa sala onde já estava Dom Francisco Coutinho, e outras pessoas principais, a ele lhe fiz a minha cortesia. Sabendo a minha graça pelo dito Padre, e quem eu era, e o que fazia, passei logo um mau bocado; porque se desviando do que havia a tratar, quis me atormentar com a grande ladroíce que eu fizera ao Achem, cousa que para ele fora muito ruim de se fazer, por não aproveitar ao serviço d’el Rey de Portugal.

Por quatro ou cinco vezes lhe tornei a dizer que havia um grande engano em tudo isto; porque tal feito não fora cometido por esta minha pessoa; mas por um malvado renegado Português, que muito fizera para me pôr em tamanha desgraça; porque nem se passando cousa de vinte anos as gentes esqueceram tão grande embuste”.

RETRATO: D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, 8 Vice-rei do Estado Português da Índia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXVIII

Do que passei com o governador Garcia de Sá

    "Estando já muy bem ataviado à nossa guisa me fui a falar com o Senhor Governador Garcia de Sá. Passando a porta para dentro da fortaleza subi as escadas que iam dar à formosa sala em que já se achava o Governador, o Vedor da Fazenda, o ouvidor geral, o meirinho, e outros oficiais d’el Rey. Anunciados os nossos nomes por um pajem, entrei com André de Barros, e o Senhor Padre, e dando nós alguns passos em frente, fizemos as nossas cortesias ao Senhor Governador, o qual disse aquilo que entrou nas orelhas de todos os que estavam na sala:

    – Ponho finalmente o rosto no maior, e mais desavergonhado ladrão de que há memória. Vós, que fostes ao Achém, em nome d’el Rey Dom João, o Terceiro, como assim fizestes crer ao Rey deles, e de lá largastes com grandes riquezas, por o tirano cair na vossa grande ladroíce, o qual muito se conta nas partes da India; mas todos crêem ser uma grande fábula, e por isso os nossos historiadores nunca lhe deram crédito; sabeis que é meu mandamento vos cortar a cabeça?”

(*) Retrato do governador Garcia de Sá.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXXVII

Do que assentei com o capitão de Malaca

"D. Pedro da Silva, e o meirinho, me fizeram uma miúda inquirição, com a qual passei obra de duas horas em grande aperto. O dito capitão me ouviu bem, e parecendo-lhe que tinha justiça, disse que eu não fora ao Achem, e por isso já não havia de dar andamento às cousas crimes nem me mandar preso à cidade de Goa com autos de minhas culpas; mas que se fizesse as cartas de que eu estava tão necessitado, a modo de indo lá me haver com o Governador.

Vendo o Senhor Padre a mercê que Nosso Senhor me fizera, foi à Igreja dar-lhe muitas graças, e louvores, e entrando a nova nas orelhas dos Portugueses que estavam à porta da fortaleza, deram todos muitas graças, por me haver livre de pena alguma. Dando todos eles palmadas nas minhas costas, e muitos abraços, houveram de me agarrar nas pernas, e costas, e sobre os ombros de dois homens fui levado até ao baluarte que se chama do Bendara, onde os nossos deram fortemente nos inimigos, quando o Soltão do Achem mandou um seu capitão em Armada cometer a cidade de Malaca, como atrás fica dito.

Estimei muito o favor do meu bom amigo Dom Manoel Antunes, e a ele lhe fiz oferecimento de presente uns ricos panos de damasco, e um formoso colar de ouro, e pedraria. O qual presente não quis aceitar; mas tornando eu a insistir para o ter como dele, o tomou nas suas mãos, e o levou para sua casa com muito contentamento de sua pessoa. Tornando nós ao junco se fez uma grande festa, e um banquete, em que comemos, e bebemos, muy largamente”.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagens

Fernão Mendes Pinto, o português de bom espírito

"Sendo generoso a partilhar com eles as glórias, e os sucessos das boas ocasiões, como sempre acontecia quando fazia bom dinheiro com a venda das fazendas, chegava agora a vez de retribuir um pouco do que tinha com este valoroso Português, por nome Fernão Mendez, pessoa honrada, e cioso dos costumes das gentes das terras por aonde andava" - Capítulo XXIX.

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Documentários

"Caravelas e Naus - Um Choque Tecnológico nos séculos XV e XVI"

Quando descrevi a viagem de Lisboa para Goa no meu romance histórico O Oriente Místico de Chao Balós fiz pesquisa exaustiva sobre a vida a bordo das naus e galeões da Carreira das Índias. Consultei crónicas e roteiros coevos. Quis ser o mais fiel possível à realidade de então. Deparei-me depois com o documentário "Caravelas e Naus - Um Choque Tecnológico nos séculos XV e XVI", da Panavideo Produções, disponível no YouTube. 

Vale a pena ver >>> https://youtu.be/7xUEZt0_osc






segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Leitura do Dia

“História de Goa (política e arqueológica)”, Vol. II, por Manoel José Gabriel de Saldanha.

“A capela de Sta. Catarina de Alexandria demora entre a cêrca do Arsenal e a do convento de S. Francisco, na rua que, descendo por êste sítio, ia outrora desembocar no Hospital Real. Fundada por Afonso de Albuquerque em 1510, em memória do bom sucesso da tomada de Goa e reedificada pelo governador Jorge Cabral em 1550, foi, mais tarde, ainda reconstruída, sendo nesta ocasião colocada à direita da porta lateral a lápide, que na anterior reconstrução se via sôbre a porta principal, como observou Pyrard, conservando a mesma inscrição –‘ Aqui n’este logar estava a porta por que entrou o Governador Affonso de Albuquerque e tomou esta cidade aos mouros em dia da Sta. Catharina anno 1510, em cujo louvor e memoria o Governador Jorge Cabral mandou fazer esta casa anno 1550 á custa de S.A.’ –“.

Páginas 23-4.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

"𝐎 𝐎𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐌í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐡𝐚𝐨 𝐁𝐚𝐥ó𝐬", 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, 𝐌𝐚𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟐.

Leia a história de um português do século XVI que deixa o Reino de Portugal e se aventura no Oriente distante onde conhece Fernão Mendes Pinto, Luís Vaz de Camões e S. Francisco Xavier: https://www.amzn.com/B09Y6B8Y5Q

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXII

Viagem e assentamento de morada em Malaca

“No sétimo dia do mês de Maio de 1535, tendo o fato dentro de duas arcas dei ordens aos carregadores, e seis criados, para virem comigo ao cais aonde André de Barros já me esperava. Ainda que tivesse informado a minha muy estimada mulher a não vir ao cais nem com os nossos filhos, pois não queria que houvesse mil dores de coração, não consegui evitar uma grande tristeza em a deixar nesta cidade.

Depois de tudo feito, e de lhes dar folhas de betele, mandei os criados tornar às casas de morada de sua ama, minha mulher, o que todos fizeram com muitos prantos. Comigo ficou somente o boy, que acarretava um sombreiro de pé alto, e não estando mais precisado dele o despedi, e se foi contente com as folhas de betele, que lhe dei pouco antes de me ir a embarcar com André de Barros, na nau que nos levaria até à cidade de Malaca, a qual foi conquistada pelo muy afamado, e valente, Affonso D’Albuquerque.

A jornada apertou-me o coração de saudades pelos onze anos de minha vida em Goa. No meu pensamento desfilaram algumas lembranças da muy abastada rua direita, e dos meus bons amigos aqui moradores, a saber: Diogo Vaz, alfaiate, Bastiam Gonçalves, cavaleiro da criação d’el Rey, casado com Maria Vaz, criada que fora do muy grandioso Affonso D’Albuquerque, e João Rodrigues, boticário. Também não me saía dos miolos a rua de Figueiredo, onde eram moradores Ruy Gonçalves de Caminha, e Christovão de Figueiredo, o tanadar mor das terras firmes que lhe dera o nome (o mesmo que fora da privança d’el Rey Crisnarao), nem a rua da carreira dos cavalos, a caminho de Benestarim, onde se fazem muitos jogos, e folguedos, com cavalos”.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XXI

Ardil para tentar convencer o governador Nuno da Cunha a atacar Mascate

“Como havia que magicar alguma cousa para acabar com esta ameaça me fui com todas as pressas à fortaleza pedir uma audiência ao Governador Nuno da Cunha. E como era necessário ao meu propósito lhe persuadir a cometer os traidores de Mascáte, usei o artifício, que todos eles nada mais tinham como tenção, do que acabar com a sua vida nesta cidade de Goa; porque escutando por ocaso uma conversa na villa de Mascáte, pusera a descoberto três homens da terra de grossas fazendas.

Estavam eles muy desagradados com o tratamento que os Portugueses davam aos barcos Arabios, os quais muitas vezes eram roubados, e faziam deles suas presas, ou os metiam no fundo do mar. Ouvi injuriosas palavras, e terríveis ameaças, que todos juraram fazer a Nuno da Cunha, por causa das suplicias que os nossos infligiam aos embarcados; porque se uns não escapavam da morte, outros tinham a má fortuna de ficar cativos, ou ser vendidos como escravos. Para eles havia que acabar com todas estas maldades, em razão dos Portugueses corromperem a boa convivência dos que seguiam a Lei de Mafamede, pondo uns contra os outros; porque se muitos eram seus inimigos, havia também mouros seus aliados”.

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Momento Quora

Qual é o seu escritor preferido?

Fernão Mendes Pinto, sem dúvida!
(Montemor-o-Velho, 1510–1514 - Pragal, Almada, 8 de Julho de 1583)

A sua "Peregrinação" é um hino à literatura portuguesa. Não obstante a versão original ter sido escrita num português bastante difícil de assimilar para a maioria das pessoas de hoje, é meu entendimento que o conteúdo surpreende, muitas vezes, pela formosura das palavras empregues e por narrativas inimagináveis de acontecer no Velho Continente, tanto no século XVII (a obra só foi lançada em 1614), como agora.

"Peregrinação" é importante para conhecer, e entender, a vida e as tradições de vários povos orientais, assim como alguns factos importantes da sua história. Comummente, o aventureiro português deixa-nos testemunho sobre as características das gentes e dos lugares por onde terá passado, descrevendo diversos eventos históricos com o pragmatismo que se lhe conhece.

O cronista tem sido injustamente acusado de ser mentiroso - há aquela famosa expressão, "Fernão, Mentes? Minto!". Embora a obra literária seja supostamente de carácter autobiográfico, também é certo haver nela algo de fantasioso. 


No entanto, está comprovado que muitos factos descritos na "Peregrinação" são bastante fidedignos, sem esquecer que o autor terá se deparado com vários acontecimentos por interpostas pessoas, estando eu certo que decidiu inclui-los na narrativa de forma ficcionada por serem importantes para o conhecimento na Europa de então.


Veja o link no Quora: https://qr.ae/pvwXqk

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Capítulo XVIII

Do que mais sucedeu até Nuno da Cunha chegar à Índia como governador:

Pero de Faria, arrebatado por uma grande ira, mandou chamar o Governador, o qual chegando com os seus à rua de São Jorge viu grande cópia de gente (onde também se achava esta minha pessoa), com muitas lanças, e alabardas, nas mãos: a qual gente acorria à causa de Heytor da Silveira. Vendo o Governador que Heytor da Silveira se achava com os seus partidários, e pelo risco em que tudo ficava, rompeu muy supitamente pela gente, com o propósito de chegar defronte das casas. Diogo da Silveira chegando-se ao balcão fez uma fala desta maneira para quem na rua estava pelo seu primo:

Não vedes, Senhores! Isto, que quer Lopo Vaz, que aí está, tomar por força a governança da India, a cuja é, mas não é bem que lhe consintam.

Entrando-me isto pelas orelhas, tirei logo a adaga da cinta, pois era minha determinação chegar à beira do Governador, e fazer justiça por minhas próprias mãos. Havia que lhe dar este merecimento o quanto antes para salvação da nossa India, e glorificar o trabalho d’el Rey de Portugal, que arruinado já estava com Lopo Vaz de Sampayo. Com tudo fui logo agarrado nas mãos, e peito, por Saipe, e outros dois marinheiros da minha esquipagem, os quais me rogaram para não começar esta briga; porque dela poderíamos sair muito mal tratados, e com risco de nossa própria vida”.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Capítulo XVII

As diferenças entre Lopo Vaz de Sampaio e Pero Mascarenhas:

Neste ano de 1526, zarpava de Portugal mais uma armada da Carreira da Índia, com duas novas sucessões, enviadas por el-Rei D. João III, ao governador D. Henrique de Menezes, após o monarca ter recebido a notícia, em Outubro do ano anterior, da morte de Vasco da Gama, e respectiva sucessão. Eram capitães desta armada Francisco de Anhaia, Tristão Vaz da Veiga, António de Abreu, Vicente Gil e António Galvão (não houve capitão-mor).

Chegando os dois primeiros a Cochim com as vias de sucessão, não quiseram entregá-las a Afonso Mexia, dado que não podiam fazê-lo a D. Henrique de Menezes, que já tinha falecido, nem a Pero Mascarenhas, que era o legítimo governador, mas estava em Malaca. Tal facto não demoveu o vedor da fazenda, que depois de convencê-los a muito custo do contrário por requerimentos e debates chamou a si a responsabilidade de abrir as sucessões, que indicavam Lopo Vaz de Sampaio como governador na morte de D. Henrique de Menezes, e António de Miranda de Azevedo como capitão-mor do mar, enquanto Pero Mascarenhas sucedia a Lopo Vaz de Sampaio na sua morte.

Num alvará solto que Afonso Mexia encontrou nas vias, D. João III explicava a D. Henrique de Menezes, e ao vedor da fazenda, que não se usasse as sucessões dos governadores que estavam na Índia, mas que as enviasse fechadas no segredo em que estavam. E se as novas sucessões não chegassem à Índia e falecesse D. Henrique de Menezes, também não seriam abertas as antigas, dado que governava Lopo Vaz de Sampaio até chegarem as novas, sendo então governador quem nelas fosse nomeado. Deste alvará se disse que fora falseado, e metido nele esta parte de dizer que Lopo Vaz governasse até virem as sucessões novas, assinalou Gaspar Correia”.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Capítulo XIII

Chegada de Dom Vasco da Gama, Vice-rei da Índia, a Goa:

“Para atalhar um pouco o sucedido, fica aqui escrito que o Viso-Rey chegou no cabo de Setembro a Goa, onde foi recebido com grande pompa, e solenidade, da forma que requeria o seu título. Após ser levado em procissão à Sé, onde não compareceu o Bispo Dom Martinho, por jazer doente em casa, foi Dom Vasco da Gama levado à fortaleza pelo capitão da cidade, que o tinha ido visitar à barra. E estando miudamente informado sobre as grandes acusações que tinham ido a el Rey, ao entrar na fortaleza soltou estas palavras:

– Senhor Francisco Pereira, assim quisera eu achar bem concertadas todas as vossas cousas assim como estão estas casas”.

terça-feira, 26 de julho de 2022

Capítulo XII

Caça aos diamantes:

“Tomado por uma grandíssima alegria tratei logo de ir com todas as pressas à casa de morada de Ruffino do Salvador, no arrabalde da Porta da Cidade para o Mandovim, para saber se me iria conceder um empréstimo em dinheiro, que depois lhe pagaria com bons juros. Após ouvir o que tinha para lhe contar, abanou a sua cabeça, e torceu o nariz com os dedos, por não estar certo do nosso sucesso, e por muito temer a perda dos seus cabedais assim de maneira tão arriscadíssima.

Falando-lhe do Português, que nos iria acompanhar nesta empresa, logo me perguntou se era pessoa de ricas fazendas? Ficando sabedor que não, bateu duas vezes a palma da mão na testa, e estranhou todo este caso, pois se o dito Português sabia como caçar diamantes; porque não se adiantaria ele à sua procura, em vez de ter que os repartir connosco? Como tive lembrança que as serpentes no vale profundo eram a dificuldade maior de todo este negócio, talvez lhe faltasse estofo, e coragem, que muito me sobejava. Ainda que Ruffino do Salvador não dissesse a razão; porque também não sabia como a explicar, me deu por seu conselho para que não largasse, por nenhum motivo, a espingarda das mãos, no tempo que andássemos enfiados no sertão”.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. XI

Chegada a Goa:

“Na manhã seguinte vimos muitas toninhas, várias borboletas, e algumas cobras, sem avistarmos terra firme. À tarde foi lançado o prumo ao mar, o qual tomou o fundo a 50 braças. Não tardámos a ver os Ilhéus Queimados, que são muitos; ainda que só dez deles se levantam a boa altura. E como neles nada cresce, pois são rochedos estéreis plantados no mar, e estão faltos de água, ficaram conhecidos por este nome de Ilhéus Queimados.

Andando mais dez léguas de caminho, surgimos na barra de Goa no primeiro dia do mês de Abril [de 1524], e sendo Diogo da Silveira visitado pelos mais importantes da cidade, lhe disseram que nos detivéssemos aqui alguns dias; porque era necessário assegurar que nenhuma maleita fosse levada para a cidade nem que a povoação sofresse de algum mal.

Passando este tempo entrou a capitânia pelo rio acima embandeirada com formosas bandeiras, e estandartes de seda. Após salvar a fortaleza com grande estrondo, chegou Diogo da Silveira ao cais, para aqui desembarcar ao som de muitos instrumentos. À sua espera estava o capitão de Goa, digo Francisco Pereira Pestana, assim como os vereadores, e oficiais da cidade, sendo recebido com grandes cortesias”.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós", Cap. IV

Fala com Diogo da Silveira, capitão-mor da Armada:

"Soprava o vento ligeiro de Noroeste, quando no meu rosto surgiu um pajem muy embonecado, com recado do nosso capitão mor, que me queria falar. A Ruffino do Salvador pedi que cuidasse das minhas cousas da viagem, pelo meu grande receio que mais alguém as tomasse como suas. Cometido por uma arreliadora má disposição, esperançava que o mar Atlântico não prolongasse tão desajeitada coreografia de atazanar a nau com mais solavancos.

Seguindo detrás do pajem, foi ele bater à porta do camarote do meirinho, ali defronte da acomodação do escrivão, e passando os meus olhos no interior, assim que o dito meirinho abriu a porta, reparei que o catre olhava para a mesa, em cima da qual pousavam uns papéis desordenados, o tinteiro, e a pena de escrever. Num canto da banda de cá achava-se um círio, e por baixo da mesa, diante da cadeira de pau, ficava uma arca.

Dando o pajem recado, que o capitão mor lhe queria falar, arrumou o meirinho, com assaz de pressa, os papéis que pousavam na mesa, e logo que saiu do camarote fechou a porta, muito bem fechada, com sua chave. Indo nós, os três, muy solenemente até Diogo da Silveira, achava-se ele na sua câmara assentado numa cadeira de espaldas, ali defronte da mesa lacada, onde pousava o relógio de areia, e alguns papéis desarrumados, a par da carta de marear, com umas pinturas ao natural dos sítios, das feições da terra, e do mar oceano".

sábado, 21 de maio de 2022

"O Oriente Místico de Chao Balós" - Personagem Central

O Oriente Místico de Chao Bálos

O extraordinário testemunho de vida de um Português de nação. Do Reino de Narsinga, à Terra do Elefante Branco, e Ilha de Sanchoão.


Quem é a personagem central?

O título e o antetítulo dão poucas pistas sobre a personagem principal. Sabe-se que é português e andou pelo Oriente. Com o avançar de páginas, percebe-se que foi criado com esmero na vila portuguesa de Alenquer, mas a inquietude da sua pessoa levou a que embarcasse para o Oriente. Podia muito bem ter ficado na vila de onde era natural ou, quiçá, feito carreira de mercador na cosmopolita Lisboa ou, até mesmo, ter entrado no Paço real…

Na viagem para a Índia fez-se homem. Por exemplo, se antes não bebia vinho, passou a fazê-lo. No Oriente experimentou um turbilhão de sensações, sentimentos e dissabores, mas também sucessos. Tornou-se capitão de uma embarcação de um malaio e andou depois por conta própria. Amealhou cabedais, umas vezes de forma honesta e outras pondo em prática ardis só ao alcance dos mais arrojados. Viajou bastante, conheceu outras realidades e lidou de perto não só com cristãos, como também com muçulmanos, hindus, iogues e budistas.

As influências de várias religiões, ou credos, aliadas às agruras da vida, moldaram a sua maneira de ser, tornando-se bastante resiliente perante as adversidades, portanto, sem nunca se deixar abater pelas contrariedades. Tal facto levou a que uns quantos lhe fossem leais, o que também facilmente se comprova pelo seu forte carisma. Um desses homens, árabe de nascimento, foi por ele adoptado e baptizado segundo os preceitos católicos.

As mulheres também não passaram despercebidas ao herói. Três delas têm honras de destaque – uma era natural de Goa, outra de Mascate e uma terceira de Odiaa (Ayutthaya). Se a primeira era sua mulher, a segunda era amante. A terceira foi a razão de toda a sua busca interior e consequente aperfeiçoamento espiritual que lhe terá sido encomendado pelo Criador.

Há também, pelo menos, mais três mulheres na sua vida: duas chinesas e uma malaia. Uma seria “mulher de partido” em Cantão, outra viveria em Patane (Pattani) e uma terceira terá vivido com ele durante algum tempo numa cidade portuária da China… 

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