O Oriente Místico de Chao Balós (excerto):
"Estávamos no ano de 1530 quando me meti no
mar Arabio a caminho de Mascáte, a tão muy grande e populosa villa da Arabia Feliz, bem apercebida de
cerca, torres, e baluartes; a qual jaz no meio de grandes, e
ásperas serras, com a frente perto da borda de água. Detrás de suas costas, ali
contra o sertão, fica uma grande planície com panelas de sal, hortas, palmares
de tâmaras, e poços de boa água doce. É terra de
muita quentura nos meses do verão.
O vento quente, que num rastro de areia sopra
do interior do sertão para o Ponente de Mascate, somente a muito custo não nos
faz ficar faltos de ar. No tempo das calmas quase nunca está coberto o sol,
desde o seu raiar, até ser noite caída, e acontece isto vários meses de
contínuo. O sol brilha tão fortemente, que os ofícios que cada um tem a seu
cargo, e as cousas particulares, não sucedem a céu descoberto nas horas do meio
dia, sob pena de causar muitos danos à saúde de cada um".
Capítulo XIX