terça-feira, 20 de setembro de 2022

Efemérides

Se fosse vivo, o poeta Alberto de Lacerda faria hoje 94 anos

(Ilha de Moçambique, 20 de Setembro de 1928 - Londres, 26 de Agosto de 2007)


Seguias Tu Pela Estrada

"Seguias tu pela estrada
e eu seguia plo carreiro:
tão fácil, movimentada;
eu, tão tardo caminheiro.

Os pés à vista de ti
inda mais se me toldavam;
se andava junto ou sem ti
meus sentidos ignoravam.

Ainda sou caminheiro,
ainda vais pela estrada:
sempre mais lento o carreiro,
e tu mais longe na estrada".

in 77 Poemas

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Capítulo XXV

O grande interesse do Tutam de Cantão pelo âmbar

Chegando nós à ilha Tamon, digo aos 14 de Agosto de 1538, esperámos pela necessária autorização do Pio da villa de Nantó, e depois do que nos cumpria aqui seguimos para a dita cidade Cantam, cousa de 18 léguas pelo rio acima, onde por minha conta fiz a comutação de pimenta, âmbar, e outras miudezas, por ricas sedas, ouro, e grande cópia de arroz.

A desembarcação de âmbar causou grande alvoroço no Tutam, que teceu muitas palavras de contentamento com a minha vinda. Assim como prometera ao feitor Jao, que duas semanas antes tinha descarregado um grande carregamento desta mercadoria, também eu teria bom agasalho, tornando a fazer as minhas mercadorias neste porto, onde ia encontrar muy ricas fazendas, com as quais depois de fazer o meu emprego, teria tanto proveito, que fariam de mim o mais abastado da terra donde era natural.

Estranhei o seu grande interesse pelo âmbar; porque valia mais para ele, do que ouro, ou diamantes. Dei o melhor para tirar algumas inquirições sobre este assunto; mas pouco consegui apurar, por se resguardar o Tutam numas lendas de remotas eras, com dragões a carpir lágrimas, que se transformavam em âmbar, e como os Chins são muy idólatras destas serpentes de extraordinária grandeza, reverenciam muito esta mercadoria.

Perdido que estava nos meus pensamentos, dei por mim com os olhos postos numas serpentes tecidas a fios de ouro, que o Tutam, e seus assistentes, traziam nos peitos, e nas costas, e que por divisa são as armas d’el Rey”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

"𝐎 𝐎𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐌í𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐂𝐡𝐚𝐨 𝐁𝐚𝐥ó𝐬", 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐃𝐚𝐧𝐢𝐞𝐥 𝐝𝐞 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚, 𝐌𝐚𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟐.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2022

terça-feira, 13 de setembro de 2022

“O Oriente Místico de Chao Balós” – Personagens

 Damião de Góis, o amigo de infância

Damião de Góis surge no meu romance histórico logo na fase inicial da narrativa. Nasceu na vila de Alenquer, em 1502. É amigo de infância de João de Barros, o herói da trama, e cresceram praticamente juntos, até o futuro humanista ser levado para o Paço Real, no reinado de D. Manuel I.

João de Barros ainda se cruzou com ele uma última vez, agora em Lisboa, pouco antes de embarcar na nau que o levaria à Índia. Foi um encontro emotivo, com lágrimas derramadas, de parte a parte, antes do definitivo adeus.

Damião de Góis viria a ter uma brilhante carreira como diplomata ao serviço da Coroa, já depois de servir na feitoria portuguesa de Flandres.

Viajou por vários países europeus e conheceu vultos da época, tais como Martinho Lutero, Erasmo de Roterdão, Albrecht Dürer, Giovanni Battista Ramusio e Inácio de Loyola, entre outros.

De regresso a Portugal, escreveu as crónicas dos reinados de D. Manuel I e de D. João III.

Foi acusado de herege pela Inquisição e sujeito a um prolongado processo judicial. Acabou preso e foi depois libertado em Dezembro de 1572. Estava bastante doente.

Viria a falecer no mês seguinte, em circunstâncias misteriosas, na terra que o viu nascer. Tinha 71 anos de idade.

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